Fibroses Após a Lipoaspiração: Tratamento- Não Cometa os Mesmos Erros que Cometi!

Hoje compartilho com vocês a minha experiência depois da Lipoaspiração, o surgimento das fibroses e toda a minha busca para encontrar um tratamento que resolvesse o problema!

Eu fiz um vídeo contando tudo!

A vontade de fazer a lipoaspiração: 

Eu tinha o sonho de fazer uma lipoaspiração. Sempre tive muito incômodo em relação a essa “gordurinha lateral “nos flancos, elas me incomodavam muito!

Busquei vários tratamentos como dieta, exercícios, tratamentos estéticos para poder tentar acabar com esse incômodo uma vez por todas. Consegui emagrecer muito, mas a gordurinha mesmo, não diminuía. 

Alguns anos depois quando já estava cursando a faculdade de fisioterapia, uma colega minha de sala  que tinha as mesmas queixas minhas em relação aos flancos, fez a cirurgia de lipoaspiração. O resultado dela foi incrível, ficou com o corpo perfeito. Eu fiquei encantada com o resultado dela e pedi a indicação do cirurgião plástico porque eu queria fazer a minha cirurgia com ele também. 

Marquei a consulta. Eu não tive muita empatia com cirurgião plástico,  ele não era muito paciente em explicar os detalhes da cirurgia e pouco atencioso. Foi uma consulta bem rápida, mas como  estava muito encantada com o resultado da minha amiga,  já estava decidida a fazer cirurgia com ele e saí de lá com a cirurgia marcada.

Esse acho que foi meu primeiro erro:  buscar apenas UMA opinião, consultar apenas UM cirurgião, baseado no resultado de UMA pessoa.

Um conselho que dou a todos os meus pacientes que vão fazer a cirurgia plástica é: Consulte pelo menos 3 profissionais.  Procure ver a opinião de cada um, ver qual te passa mais confiança. Não se baseie apenas no resultado da amiga, prima, vizinha.  Tudo pode ser diferente com você!

Mas voltando ao meu caso…

Realizei a cirurgia dia 23 de dezembro, dois dias antes do Natal apenas. Estava um calor “infernal” e sinceramente, se eu fosse fazer novamente uma lipo, eu não faria no verão!

O fato de estar muito quente me incomodou muito, fiquei bastante edemaciada, a cinta incomodava demais e eu transpirava muito.

Na primeira semana de pós operatório senti bastante dor,  mas o que já era esperado. No primeiro retorno 7 dias após, para a retirada dos pontos, eu já comecei a achar minha barriga um pouco estranha. Comecei a sentir algumas dores, incômodo e uma sensação de “tronco preso”.  Comentei isso com o médico, mas ele simplesmente falou : “não preocupa isso é normal, fica tranquila que está tudo bem”.

Passou-se mais uns 10 dias de pós-operatório, comecei a sentir a minha barriga endurecendo muito, com muitas irregularidades,  meu umbigo estava repuxado para um lado e eu achei tudo muito estranho.  Comentei com a minha amiga, para ver se  ela tinha sentido algo parecido e ela negou.

Fiquei bastante preocupada e voltei novamente à consulta com o cirurgião. Ele continuou insistindo que era normal, e com o tempo tudo iria melhorar. Não precisava fazer nenhum tratamento.

Não me dando por satisfeita, e muito preocupada com o aspecto do meu abdome, resolvi buscar na  internet o que poderia estar acontecendo e cheguei então nas fibroses!

Fiquei chocada com as fotos das fibroses, o que me assustou mais ainda porque eu não imaginava que minha barriga pudesse ficar assim depois de uma lipo! E o pior, o relato das pessoas era de que as fibroses não melhoraram com o tempo! 

Como eu não tive nenhuma solução indicada pelo cirurgião, comecei a pesquisar tratamentos,   alternativas pois não podia ficar com aquele resultado. A minha barriga estava pior do que antes da cirurgia!

Encontrei então algumas opções de tratamento: massagens,  vacuoterapia, ultrassom. 

Procurei clínicas que realizavam os tratamentos e fiz todos que me recomendavam:  ultrassom, vácuo, massagens fortes, tipo modeladora. Sentia mita dor,  mas eu pensava: “eu tenho que aguentar, eu tenho que melhorar minha barriga”.

Fiz mais de 30 sessões e não adiantou nada.  A minha barriga estava igual antes.

Fiquei muito frustrada, o tempo passou, eu morria de vergonha, não tinha coragem de colocar biquíni. Foi horrível pois quando tentei usar, percebia que as pessoas só olhavam para minha barriga, mesmo tentando disfarçar. Me arrependia tanto de ter feito a lipoaspiração! 

Um ano depois, comecei a fazer estágio em clínicas de fisioterapia dermato funcional e estética, porque eu gostava dessa área e estava sempre procurando novos tratamentos na esperança que pudesse melhorar meu abdome.

Outros tratamentos surgiram e prometiam tratar a fibrose: foi a vez da radiofrequência. 

O primeiro aparelho de radiofrequência surgiu e chegou ao Brasil. Fiz várias sessões, tratamento muito caro, novidade total na época e não melhorou meu abdôme.

Passou-se mais um tempo e surgiu a carboxiterapia. 

Resolvi experimentar a técnica. Trata-se de uma terapia muito dolorosa, acho que a pior dor que eu senti dentre todos os tratamentos que tentei. Consegui fazer apenas 2 sessões e desisti.

Eu já tava ficando desacreditada mesmo,  achando que minha barriga ia ficar daquele jeito para o resto da vida, até que em uma dessas pesquisas pela internet eu encontrei uma fisioterapeuta no Rio, falando sobre o tratamento para fibrose manual. 

Como era um tratamento totalmente diferente de tudo que eu já tinha experimentado,  eu achei interessante e, pesquisando um pouco mais, vi que ela ministrava cursos e prontamente me inscrevi.

Depois de fazer o curso, é que eu comecei a entender um pouco mais sobre o que é a fibrose, por que ela se forma e o motivo pelos quais os tratamentos que havia realizado não resolveriam o problema.

Comecei a fazer a técnica em mim mesma, precisei praticar muito para entender que a manipulação não envolve força, dor, e nem pode ser feita com muita frequência. Eu fui sentindo no meu corpo (literalmente na pele) o que era benéfico ou não no tratamento manual.

Foi então que finalmente comecei a ver uma melhora no aspecto do meu abdôme!

A partir disso eu fiz vários outros cursos em terapia manual, técnicas para mobilização de fáscias e comecei a atender pacientes no pós operatório de cirurgias plásticas. Há 12 anos estou nessa área, buscando ajudar pacientes e a oferecer o melhor tratamento depois das cirurgias.

Em 2014,  fui convidada a ser professora na pós-graduação de fisioterapia dermato-funcional na CMMG e uma das matérias que leciono é “A abordagem da fisioterapia no pós-operatório de cirurgias plásticas”.

Me sinto muito feliz e realizada em poder ajudar os alunos a entenderem melhor como que é o processo de cicatrização e a desenvolverem um raciocínio e uma melhor abordagem na conduta com seus pacientes no pós-operatório.

No fim das contas, “fiz de um limão, uma limonada”!

O cirurgião plástico que me operou, não faz idéia de nada disso que passei. Eu nunca mais voltei no consultório dele, pois fiquei muito frustrada e com raiva na época. Percebo que essa é a reação da maioria dos pacientes que me procuram. As pessoas acabam não dando um feedback para o cirurgião, mostrando a insatisfação com o resultado e talvez por isso eles acreditem que a fibrose melhore com o tempo, pois os pacientes não voltam para reclamar.

Se você está pensando fazer uma cirurgia plástica, procure se informar sobre tudo que pode acontecer. Procure saber sobre os tratamentos e acima de tudo, busque bons profissionais para conduzir o seu pós operatório. E se você conhece alguém que irá realizar, compartilhe esse texto! Com certeza ele poderá ajudar, para que ninguém passe pelo que passei!

É incrível ainda hoje, tantos anos após a minha cirurgia, perceber que os tratamentos indicados e empregados por muitos profissionias que atuam no pós operatório  são os mesmos que realizei e que não trouxeram resultado algum. Os pacientes continuam passando pelas mesmas experiências e frustrações, já que essas informações não chegam facilmente aos cirurgiões e cirurgiãs plásticos.

O meu propósito é poder divulgar mais essas informações, os estudos e pesquisas mais recentes em cicatrização e tratamento de intercorrências nas cirurgias plásticas, para que os pacientes possam ter o melhor resultado possível!   

E você? Passou ou passa por algo parecido com a minha história? Se sim, deixe um comentário! Quem sabe ainda eu consigo te ajudar?

Leia também: 

Como saber se você tem Fibroses ou não! https://www.villaspabh.com/tratamento-fibrose-pos-lipo-e-abdominoplastia-como-saber-se-voce-tem-fibrose/

Tratamento Fibrose Pós Lipo e Abdominoplastia: Como saber se você tem Fibrose!

Dentre as dúvidas mais comuns que recebo no instagram, e-mail, e consultório são: o que é fibrose e será que eu tenho não fibrose?

Para esclarecer essa dúvida, eu fiz um vídeo explicando quais são as sensações mais comuns causadas pelas fibroses, como descobrir e os outros acometimentos que podem confundir o diagnóstico.

Confira:

A fibrose  é  um tecido cicatricial que é rico em colágeno e que é depositado em excesso e de forma desorganizada.

Na cirurgia de lipoaspiração, a cânula utilizada para fazer a retirada da gordura no tecido subcutâneo gera uma lesão no tecido. Essa lesão desencadeia um processo de cicatrização no qual, nosso corpo entende que ele precisa “preencher” aquela região na qual as células de gorduras foram removidas. Inicia-se então a cicatrização, que é dividida em algumas fases: inflamação, proliferação e remodelação. Cada pessoa pode desencadear uma resposta diferente em cada fase, dependendo de fatores genéticos, alimentação e outros hábitos de vida ( consumo de álcool, cigarro…)

Na fase proliferativa da cicatrização começa a haver uma deposição tecidual (matriz extracelular) e é aí que a fibrose pode ser formada: quando há um excesso de deposição e de forma desordenada.

O que as pessoas sentem quando há a formação de fibroses?

As pessoas começam a sentir a sensação de que a pele está rígida, sensação de “tronco preso”, por exemplo ao fazer algum movimento como a  extensão ou flexão lateral do tronco. Em alguns casos a rigidez tecidual é tão intensa que é possível visualizar essas alterações ao fazer esses movimentos:

                                   

Ao apalpar a região é possível sentir algumas regiões mais “endurecidas” e o aspecto estético também fica comprometido: pode haver irregularidades e assimetrias entre os lados.

O dever dos profissionais que vão conduzir o pós-operatório da cirurgia é identificar essas alterações logo no princípio do processo e aplicar técnicas que irão proporcionar a organização e a inibição do excesso de deposição tecidual.

O problema é que existem muitos profissionais que atuam em pós operatório e aplicam técnicas  e aparelhos que há alguns anos eram considerados eficazes no tratamento de fibroses, mas hoje, com as publicações e estudos científicos atuais sobre o comportamento do tecido cicatricial de acordo com os estímulos mecânicos aplicados, fica claro que técnicas de massagens com movimentos aleatórios, que geram sobrecarga e tensão, dolorosas, aparelhos como ultrassom, carboxiterapia (entre outros), podem na verdade, prejudicar e agravar o processo.

Como saber se eu possuo fibroses?

A melhor forma sem dúvidas, é procurar um profissional experiente, que saiba identificar as fibroses e diferenciá-las de outras intercorrências, como uma aderência, um edema localizado, um resíduo de gordura (como mostrei no vídeo no início desse post) que podem apresentar um aspecto visual parecido com a fibrose. Fazer uma avaliação e um diagnóstico correto é imprescindível para um plano de tratamento eficaz. Cada uma dessas intercorrências possuem tratamentos e abordagens diferentes e  tratar uma, pensando ser outra será uma grande perda de tempo, dinheiro e frustração!

Seroma: entenda o que é e como funciona o tratamento

O seroma é um acúmulo de líquido edematoso na região subcutânea (abaixo da pele). Você pode sentir algumas regiões moles, e quando as apalpa, a sensação é de que há uma bolsa de líquido no local.

Essa intercorrência pode ocorrer em qualquer fase do pós-operatório. É importante que o profissional que acompanha seu caso tenha prática para saber identificar a formação do seroma em tempo hábil.

O líquido acumulado deve ser puncionado pelo(a) cirurgião(ã) sempre que identificado. Caso esse procedimento não seja feito, o líquido pode se espessar e formar um tecido rígido de difícil abordagem terapêutica.

Como evitar a formação e identificar se você está com seroma? Descubra assistindo o vídeo:

Como deve ser a Drenagem Linfática no pós-operatório?

Quando nos preparamos para a sonhada cirurgia plástica, sempre ouvimos falar na necessidade de realizar a drenagem linfática manual para a recuperação.

Devido à popularização dessa massagem, muitos profissionais têm aplicado diferentes técnicas e as vendem como “drenagem linfática”, fato que gera muita confusão nos pacientes. No pós-operatório, contudo, a aplicação da técnica incorreta pode trazer problemas.

A drenagem linfática é uma técnica de estimulação do sistema linfático que possui movimentos específicos, lentos, superficiais e está muito bem descrita na literatura (há vários artigos científicos quem comprovam a sua eficácia). A técnica correta também não faz utilização de nenhum tipo de veículo (cremes, óleos) para a sua execução. Ela não deve, de forma alguma, gerar dor!

O emprego crescente de técnicas modificadas nos tratamentos estéticos e vendidas como “Drenagem Linfática”, porém, é preocupante. Essas técnicas contradizem as manobras da drenagem comprovada, utilizando muita pressão, fricção e deslizamento sem embasamento científico, não sendo recomendadas durante o processo cicatricial após uma cirurgia plástica. Esse tipo de conduta pode agredir o tecido, desencadeando complicações como aderências cicatriciais, rigidez e tensões nas incisões cirúrgicas, o que não é favorável à recuperação no pós-operatório.

Como saber se a drenagem linfática é adequada?

Ao pesquisar o profissional que irá acompanhar a sua evolução depois da cirurgia plástica, procure saber a formação dele, conhecimento e como funciona a técnica de drenagem linfática a ser aplicada. Para facilitar a sua pesquisa, separamos cinco características essenciais da drenagem linfática:

  1. Não há utilização de cremes ou óleos na execução.
  2. A sensação é confortável em todas as regiões. A drenagem linfática não envolve dor.
  3. Os movimentos são leves e lentos. Movimentos rápidos e fortes são característicos de outros tipos de massagem.
  4. Não há fricção e compressão do tecido.
  5. No fim do procedimento, você sente alívio e sensação de bem-estar.

1. Quando devo iniciar as sessões de drenagem linfática depois da cirurgia?

Para responder essa pergunta, precisamos entender um pouco da fisiologia do processo de cicatrização. Depois do processo cirúrgico, os vasos sanguíneos e linfáticos são danificados e o organismo necessita de um tempo para que ocorra a angiogênese (formação dos novos vasos). Esse processo dura em torno de 7 dias.

Alguns cirurgiões e cirurgiãs indicam o início da drenagem linfática antes mesmo desses dias, por volta do terceiro dia de pós-operatório.

Mas se ainda não houve a regeneração dos vasos linfáticos, por que iniciar o procedimento antes dos 7 dias?

Entenda assistindo o vídeo:

2. Drenagem linfática é tudo que terei que fazer no pós-operatório?

O papel principal da drenagem linfática é reabsorver o líquido depositado após a realização do processo cirúrgico. A técnica não irá tratar outras intercorrências como fibroses, seromas, cicatrização hipertrófica (excessiva) ou rigidez tecidual que podem ocorrer, principalmente, a partir de 15 dias de cirurgia.

Por isso, caso perceba dor ou rigidez capazes de que limitar a execução de movimentos na região, entenda: a drenagem linfática manual não é suficiente para esses casos. Para esses tratamentos, são necessárias técnicas manuais específicas e mobilizações muito diferentes do estímulo gerado pela drenagem.

Cuidado com a quantidade de sessões de drenagem que você realiza no pós-operatório. É comum recebermos pessoas que fizeram um grande número de sessões (entre 30 a 60) e gastaram muito dinheiro com esses tratamentos sem terem melhoras em seu quadro. Mais sessões de drenagem não trazem grandes melhorias nesses casos. Saiba mais sobre tratamentos específicos.

E se estiver sentindo dor com a drenagem linfática?

No processo de pós-operatório, a dor é prejudicial e pode retardar o processo cicatricial. Entenda mais com o vídeo:

Os movimentos realizados são lentos, leves e obedecem o sentido do fluxo linfático — e assim devem ser, já que, se a drenagem linfática for realizada com muita pressão, os capilares linfáticos serão comprimidos, não havendo o efeito desejado. A drenagem linfática não proporciona dor, mas sim uma sensação de alívio durante e após a sessão.